A motivação pode ser definida como o conjunto de fatores circunstanciais e dinâmicos que determina a conduta de um indivíduo.
A motivação é uma força interior propulsora, de importância decisiva no desenvolvimento do ser humano. Assim como na aprendizagem em geral, o ato de se aprender línguas é ativo e não passivo. Não se trata de se submeter a um tratamento, mas sim de construir uma habilidade. Não é o professor que ensina nem o método que funciona; é o aluno que aprende. Por isso, a motivação do aprendiz no aprendizado de línguas é um elemento chave.
A motivação pode ser ativada tanto por fatores internos como externos.
A origem da motivação é sempre o desejo de se satisfazer necessidades. O ser humano é um animal social por natureza e, como tal, tem uma necessidade absoluta de se relacionar com os outros de seu ambiente. Essa tendência integrativa da pessoa é o principal fator interno ativador da motivação para muitos de seus atos. Por exemplo, se estivermos em um ambiente caracterizado pela presença de uma língua estrangeira, naturalmente teremos uma forte e imediata motivação para assimilarmos essa ferramenta que nos permite interagir no ambiente, dele participar e nele atuar. Aprender uma língua fora do ambiente de sua cultura seria como aprender a nadar fora d'água.
As características dos ambientes que freqüentamos representam fatores externos. Por exemplo, se o ambiente em que o aprendizado da língua deve ocorrer for autêntico e proporcionar atividades voltadas aos interesses do aprendiz, o grau de motivação será alto. Entretanto, se o ambiente carecer de autenticidade, de elementos da cultura estrangeira, como por exemplo uma sala de aula com um número excessivo de alunos e um professor de proficiência limitada, onde a L2 dificilmente se impõe sobre a L1, e se as atividades nesse ambiente forem ditadas por um plano didático predeterminado em vez de centradas na pessoa e nos interesses do aprendiz, o grau de motivação será baixo.
Outra necessidade que buscamos satisfazer (principalmente crianças, adolescentes e jovens adultos) é a necessidade de se explorar o desconhecido. Esta característica do ser humano também demonstra a importância do ambiente de aprendizado da língua estar autenticado pela marca e presença da cultura estrangeira.
Na criação de ambientes especificamente para o ensino e o aprendizado de uma língua, mapas, fotografias, filmes e música podem ajudar, mas nada substitui a pessoa estrangeira. O falante nativo é a personificação da língua e da cultura estrangeira, e por isso forte fator estimulador da motivação. O contato intercultural mostra ao aprendiz a funcionalidade da língua e leva-o a se identificar com a cultura estrangeira e a desejar integrar-se a ela, produzindo, como conseqüência, o desejo de imitar, de pensar e falar igual.
Além de poder ser ativada por fatores internos e externos, a motivação pode ser classificada em direta e indireta.
Motivação direta seria aquela que nos impulsiona diretamente ao objeto que satisfaz uma necessidade nossa. Por exemplo: você admira e se identifica com uma cultura estrangeira, quer a ela se integrar, e por isso investe todos seus esforços no aprendizado da respectiva língua.
Motivação indireta ou instrumental é aquela que nos impulsiona em direção a um objetivo intermediário, por exemplo, aprender inglês, que, por sua vez, possibilitará a satisfação de uma necessidade maior. Esta é provavelmente a forma mais freqüente de motivação no aprendizado de línguas. Veja os exemplos abaixo:
Exemplo 1: Você tem um forte desejo de conhecer a técnica da fotografia e dispõe de excelente literatura sobre o assunto, em inglês. Embora você não entenda textos em inglês, vai aplicar todo seu esforço para decifrar a língua e assim obter as informações ali contidas.
Exemplo 2: Se um jovem norte-americano se apaixona por uma jovem de origem hispânica, que vive numa das muitas comunidades hispânicas nos EUA, ele poderá investir esforços no aprendizado do espanhol para conquistar a simpatia da jovem e de sua família.
Exemplo 3: Uma pessoa ambiciosa, extremamente motivada em direção ao sucesso em sua carreira profissional, embora sem talento nem motivação para línguas, poderá investir exaustivos esforços em seu aprendizado, o qual indiretamente possibilitará a realização de um objetivo (satisfação de uma necessidade) maior.
Exemplo 4: Você busca o aprendizado da língua estrangeira porque reconhece nela uma ferramenta indispensável tanto em sua carreira acadêmica como profissional, ou simplesmente porque quer ser ouvido e reconhece no inglês um poderoso meio de expressão neste mundo globalizado.
É interessante observar que freqüentemente uma motivação indireta acaba dando origem à motivação direta. Ou seja, a pessoa inicialmente impulsionada em seu ato por um objetivo indireto maior, acaba "tomando gosto", descobrindo valores antes desconhecidos, destruindo imagens estereotipadas, encontrando no "sacrifício" intermediário um objeto de motivação direta. Isto ocorre na medida em que a experiência de aprendizado da língua é complementada com o aprendizado da respectiva cultura, passando ambos a fazer parte da coleção de experiências de vida da pessoa.
quarta-feira, 8 de abril de 2009
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